Estado da Arte Museus na Web: Brasil e Inglaterra

Brasil

O Estado brasileiro tem papel crucial na manutenção das suas instituições GLAM (galerias, bibliotecas, arquivos e museus), sendo que 97% das bibliotecas, 80% dos arquivos e 72% dos nossos museus são instituições públicas. Além disto, o financiamento destes equipamentos culturais também é predominantemente governamental. A maioria destas instituições é recente e foi criada a partir de 1985, portanto, quando se retoma o processo democrático no Brasil após a ditadura militar (1964-1985).

Quando estes e outros dados foram levantados pelo TIC Cultura 2018 (Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2020), constatou-se que a presença Web dos equipamentos culturais é mais representativa nas redes sociais do que através de websites. Em ambas as plataformas, a divulgação de notícias é a principal atividade. Constatou-se, também, que o relacionamento com o público vigente e ampliação de frequentadores são funções mais expressiva das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) do que a disponibilização de acervos on-line, transmissões ao vivo, formação à distância ou alcance de novos públicos pela oferta de conteúdo digital. Por fim, a pesquisa mostra que a maior parte das GLAMs não possui setor de TI (Tecnologia da Informação) ou contrata serviços de terceiros.

Sobre os museus, especificamente, o relatório aponta que:

  • 16% disponibiliza computador para o público.
  • 32% disponibiliza wi-fi para o público.
  • 48% possui perfil em redes sociais.
  • 26% possui website próprio e 30% utiliza websites de terceiros.
  • 3% oferece venda ou reserva de ingressos pela Internet.
  • 5% oferece oficinas ou atividades de formação on-line.
  • 40% disponibiliza acervo digitalizado ao público, sendo 34% presencialmente na instituição, 10% por meio de website próprio e 9% em websites de outras instituições.

Estes números revelam uma presença na Web altamente deficitária e reforçam os dados levantados em pesquisa do LavMUSEU, na qual constatamos que na maior e mais rica cidade brasileira (São Paulo), dos 45 museus e centros culturais levantados, 58% eram públicos e 67% não possuíam coleção on-line. (LavMUSEU, 2018)

Inglaterra

O relatório Digital Culture 2017: Museums (NESTA, 2017), que avaliou como 211 organizações artísticas e culturais da Inglaterra utilizam tecnologias digitais, constatou que:

  • 73% digitaliza coleções.
  • 50% já disponibiliza ao menos parte da coleção digitalizada on-line e 36% pretende começar a fazer isto nos próximos 12 meses.
  • 72% publicam conteúdo em plataformas gratuitas.
  • 50% publicam conteúdo em seu website.
  • 38% disponibilizam conteúdo educacional on-line.
  • 37% vendem tickets on-line.
  • 31% possuem otimização para mecanismos de busca.
  • 29% mantêm um blog com comentários e críticas culturais.
  • 25% disponibilizam experiências educacionais interativas.
  • 25% possuem trabalhos digitais conectados à exposições ou obras de arte.
  • 25% postam vídeos/áudios, via streaming ou para download.
  • 24% disponibilizam passeios interativos on-line de exposições ou espaços do museu.
  • 24% possuem exposições ou trabalhos de arte inteiramente digitais.
  • 13% possuem experiências de realidade virtual/aumentada.
  • 7% possuem conteúdos exclusivamente on-line.

Não obstante os números serem flagrantemente positivos se comparados com a realidade brasileira, no contexto do setor de arte e cultura da Inglaterra como um todo, os museus são os que menos consideram o digital como relevante em cinco das seis áreas pesquisadas, a saber: Marketing, Operações, Criação, Distribuição e Exibição, Modelo de Negócio.

Somente em Preservação e Arquivamento os museus possuem números maiores do que o do setor cultural como um todo: 79% dos museus consideram o digital como relevante em Preservação, 78% para a média das demais instituições pesquisadas. Além disto, houve redução da importância do digital em todas as áreas, com exceção do Modelo de Negócios. O item Distribuição e Exibição foi considerado importante por 44% dos museus em 2017: uma queda de 18% em relação à 2013.

Apesar destes encolhimentos, o desenvolvimento de habilidades digitais foi identificado pelo Conselho de Artes da Inglaterra como prioridade, sendo que 37% das organizações do setor afirmam que a falta de capacidade e conhecimento configura uma grande barreira para o alcance das aspirações digitais.

Um estudo com pequenas empresas e instituições de caridade revela que a falta de habilidades digitais, associada ao receio com questões de cibersegurança, são razões-chave para muitas destas organizações reterem seu potencial de realização on-line (Department for Digital, Culture, Media & Sport UK, 2018, p. 32).

No caso dos museus, 72% das instituições apontaram como barreira a falta de tempo da equipe interna, o que reforça a importância de iniciativas como a do Recursos Web para GLAM, que podem auxiliar instituições e profissionais ao redor do mundo a economizarem tempo e esforços no processo de estruturação e manutenção de sua presença na Web.

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