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Estampa Eucalol da série Curiosidades Mundiais sobre a Pedra de Rosetta exposta no Museu Britânico
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Documento
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Sobre
Miniatura
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Nome da Estampa
Estampa Eucalol da série Curiosidades Mundiais sobre a Pedra de Rosetta exposta no Museu Britânico
Época
As Estampas Eucalol foram publicadas no Século XX – Décadas de 1930 a 1960
Nº de Registro
WEBMUSEU.2025.2
Status da Catalogação
Ficha catalográfica preenchida e em processo de revisão por especialistas
Sobre esta Estampa
Este exemplar das estampas Eucalol, da série Curiosidades Mundiais, destaca um dos artefatos arqueológicos mais importantes da antiguidade: a Pedra de Rosetta. Você sabia que esta pedra “Google Tradutor” ajudou a decifrar os mistérios do Egito Antigo? Esta estela egípcia, desenterrada na cidade de Rosetta pelos soldados de Napoleão, contém o mesmo decreto escrito em dois idiomas (egípcio antigo e grego) e três escritas: hieróglifos (a escrita sagrada), demótico (a escrita nativa da época) e grego. Como o grego era uma língua conhecida no século XVIII, ao contrário do egípcio antigo, os estudiosos finalmente conseguiram decifrar os milenares hieróglifos. Agora é a sua vez de ser um arqueólogo virtual: explore os detalhes desta estampa cultural vintage e descubra as curiosidades que ela guarda sobre a misteriosa civilização egípcia!
Avisos Importantes!
O texto informativo do verso desta estampa afirma que na Pedra de Rosetta uma mensagem religiosa foi escrita em três línguas. Na realidade, são dois idiomas (egípcio antigo e grego), sendo o egípcio em dois sistemas de escrita distintos: hieróglifos e demótico. As estampas Eucalol, como toda publicação cultural, encontram-se imbuídas de valores e contextos de sua época. Esta estampa em particular retrata a cidade de Rosetta de forma pitoresca e romantizada, em contraste com o período de guerra no qual este artefato arqueológico importantíssimo foi redescoberto. Ainda que o Museu Britânico esteja de fato guardando cuidadosamente a Pedra de Rosetta, como descrito no verso da estampa, esta estela egípcia integra as discussões sobre repatriação de bens culturais musealizados. Foge ao escopo deste projeto nos posicionarmos quanto à situação atual do Egito – em termos de gestão museal, estabilidade política e democracia – condições necessárias para se garantir a proteção deste artefato único para a humanidade. Saiba mais na seção Análise Crítica desta página.
Identificação
Título da Estampa
Estampa Eucalol A Pedra de Rosetta – Série Curiosidades Mundiais
Título Associado
Cidade de Rosetta (City of Rosetta) – Gravura de Thomas Milton (1801-1803)
Título Atribuído
Estampa Cultural Eucalol da Pedra de Rosetta, um dos maiores achados arqueológicos da humanidade. In: VEIGA, Ana Cecília Rocha. Manual de Catalogação, Conservação Preventiva e Gestão de Acervos: Estampas Culturais. Disponível em: https://webmuseu.org/projeto/ Acesso em: 12 de jun. 2026.
Série da Estampa
Notas da Identificação
O título Cidade de Rosetta (City of Rosetta) refere-se à gravura de Thomas Milton, que inspirou a ilustração da estampa. Este título se encontra impresso na obra de arte original, conforme observado na reprodução acrescentada nos anexos desta estampa e disponibilizada na coleção on-line do Museu Britânico: https://www.britishmuseum.org/collection/object/P_1948-1125-6
Produção e Classificação
Produtor
Tipo de Produção
Manufatura > Produção em massa
Tiragem
Tiragem desconhecida
Classificação
7 – EQUIPAMENTO DE COMUNICAÇÃO > 7.6 – Material de propaganda > Cartão comercial
Descrições Técnicas
Categoria
Dimensões
9 x 6 centímetros
Peso
1 grama
Formato
Cores
Cronologia
Século de Produção
Data da Estampa
De 1941 a 1946 (Conforme classificação do catálogo raisonné de Gorberg, 2000).
Datas Associadas
210-180 a.C. – Faraó Ptolomeu V Epifânio: Nasceu por volta de 210 a.C e morreu em 180 a.C. Portanto, com cerca de 30 anos. A Pedra de Rosetta contém um decreto sacerdotal que versava sobre o culto real deste faraó, na ocasião com treze anos de idade. Marca o primeiro aniversário de coroação do jovem rei do antigo Egito.
27/03/196 a. C. – Data em que as inscrições na Pedra de Rosetta foram esculpidas, há mais de 2.200 anos. Marca o primeiro aniversário da coroação do jovem faraó Ptolomeu.
204 - 181 a.C. – Reinado do Faraó Ptolomeu V Epifânio.
15/07/1799 – Redescoberta da Pedra de Rosetta: Na guerra entre a França e o Império Otomano, soldados franceses preparavam as fundações para construção de um forte na cidade de Rashid (ou Rosetta) no Egito. Ao fazê-lo, encontraram a pedra e logo a reconheceram como uma importante relíquia. Apesar da data exata ainda não ser totalmente consenso, acredita-se que o encontro acidental desta estela aconteceu em 15 de julho de 1799.
1801 – Tratado de Alexandria: Rendição da França na guerra contra o Império Otomano, resultando na entrega dos tesouros egípcios para os britânicos.
1801-1803 – Data de produção da gravura da Cidade de Rosetta por Thomas Milton. A gravura inspirou a ilustração da estampa e se encontra no Museu Britânico.
1802 – Doação ao Museu Britânico: George III, rei da Grã-Bretanha e Irlanda, doou a Pedra de Rosetta ao Museu Britânico.
Notas da Cronologia
A Pedra de Rosetta pertence à Era Ptolomaica ou Dinastia Ptolomaica.
Geografia
Localização Principal da Estampa
Mundo > América do Sul > Brasil > Sudeste (região) > Rio de Janeiro (estado) > Rio de Janeiro (cidade)
Local de Produção
Mundo > América do Sul > Brasil > Rio de Janeiro (estado) > Rio de Janeiro (cidade) > Tijuca (bairro) > Rua Ribeiro Guimarães (logradouro)
Local de Comercialização
Mundo > América do Sul > Brasil
Local de Uso
Mundo > América do Sul > Brasil
Locais Associados
Mundo > África > Egito > Beheira (província) > Rashid (Rosetta, segundo os franceses da época)
Notas da Geografia
A Pedra de Rosetta ganhou este nome, pois foi provavelmente na cidade de Rashid, denominada então pelos franceses de Rosetta ("pequena rosa"), em que ela foi redescoberta pelos soldados de Napoleão.
O Local de Produção referencia a fábrica da Perfumaria Myrta, onde provavelmente as estampas eram embaladas juntamente com os sabonetes Eucalol, em caixas com três barras e três cartões colecionáveis.
Pessoas e Entidades
Artista
Artistas Associados
Pessoas Associadas
Jean-François Champollion (1790–1832) | Napoleão Bonaparte | Pierre-François Bouchard (1771–1822) | Ptolomeu V Epifânio (210 – 180 a.C) | Rei George III (1738 – 1820) | Thomas Young (1773–1829)
Grupos Associados
Organizações Associadas
Notas das Pessoas e Entidades
Todos os esforços estão sendo empreendidos neste projeto para determinar as pessoas, empresas e instituições envolvidas na produção das estampas reproduzidas neste repositório digital. Entretanto, nem sempre nosso empenho é bem-sucedido, pois muitas destas informações se perderam ao longo do tempo e são difíceis de se encontrar. Teremos satisfação em creditar os profissionais e artistas que produziram estes cartões colecionáveis. Portanto, caso seja um deles, seus descendentes ou pesquisadores do assunto com informações adicionais, gentileza entrar em contato conosco.
Conteúdos e Contextos
Artefato de Informação
Assunto
arqueologia | egiptologia | hieróglifos egípcios | linguística | museu | publicidade
Conceitos
Eventos
Campanha Egípcia (1798-1801): As tropas francesas do General Napoleão Bonaparte empreenderam uma campanha no Egito contra o Império Otomano, entre 1798 e 1801. Sua intenção era dominar o Mediterrâneo Oriental e ameaçar o domínio britânico na Índia. Em julho de 1799, quando os soldados franceses escavavam um forte em Rosetta, preparando-se para a Batalha de Abuqir, a famosa estela foi encontrada. Os britânicos, preocupados com a possibilidade do Egito se tornar uma colônia francesa, decidiram enviar uma frota e, posteriormente, tropas para a guerra. As forças Anglo-Otomanas derrotaram Napoleão e os tesouros egípcios passaram para as mãos dos britânicos, nos termos do Tratado de Alexandria (1801). Saiba mais sobre esta campanha no verbete do Museu Nacional do Exército (UK): https://www.nam.ac.uk/explore/egyptian-campaign
Inspirações
A ilustração da cidade de Rosetta, presente nesta estampa, é uma reprodução simplificada da gravura City of Rosetta de Thomas Milton, que por sua vez se inspirou em uma pintura de Luigi Mayer. Esta gravura pode ser encontrada nos anexos desta ficha e integra o acervo do Museu Britânico.
Luigi Mayer (c.1750/55-1803), artista italiano com descendência alemã, registrou em aquarelas e desenhos o Império Otomano, patrocinado pelo embaixador inglês Sir Robert Ainslie. Thomas Milton (1743-1827), gravador britânico, publicou uma série de gravuras derivadas, denominada Vistas do Egito, Palestina e outras partes do Império Otomano. Para saber mais sobre estes artistas e suas obras de arte, consulte o campo Artistas Associados.
No contexto histórico das estampas culturais, práticas de apropriação, releitura ou reprodução eram usuais e não necessariamente compreendidas nos mesmos termos legais e éticos da contemporaneidade, sob os quais se enquadrariam como plágio. A valorização social da originalidade e os conceitos atuais de autoria precisam ser contextualizados para a época.
Função
As estampas culturais consistiam em cartões colecionáveis oferecidos como brinde publicitário. Na frente, apresentavam uma ilustração acompanhada de um título e, em muitos casos, a identificação da série à qual pertenciam. No verso, podiam trazer um breve texto explicativo sobre o tema da imagem, receitas, dicas e propagandas. Trata-se, portanto, de uma estampa publicitária colecionável, com dupla função: promocional e informativa. Por terem sido produzidas antes da revolução digital e da Internet, em um período no qual livros de atualidades eram mais raros e caros, as estampas também exerciam uma função enciclopédica e educativa. Eram utilizadas por professores como material de apoio em ambiente escolar.
Texto do Verso
Esta pedra está cuidadosamente guardada no Museu de Londres e encerra inestimável valor para os cientistas. Nela está escrita em três línguas uma mensagem religiosa. Conhecidas duas escrituras soube-se logo a terceira, a qual, sem a pedra jamais poderia ser decifrada.
Texto Alternativo
Reprodução de um cartão envelhecido, onde se lê em destaque: “Curiosidades Mundiais, A Pedra de Rosetta, Estampas do Sabonete Eucalol”. Em primeiro plano à esquerda, a ilustração apresenta um quadro com a Pedra de Rosetta em seu pedestal redondo, como era exposta no Museu Britânico. Outro quadro, à direita, mostra um mapa com a localização da cidade de Rosetta, no Egito. Em segundo plano, há uma paisagem bucólica do rio Nilo com barcos a vela, botes e pescadores. Ao fundo, na linha do horizonte, está a cidade de Rosetta, com edificações no estilo otomano, entremeadas por minaretes das suas mesquitas.
Inventário Participativo
“Na minha infância e juventude, viajava até o Egito na imaginação, livros de arte, álbuns de fotografia dos meus avós, documentários e estampas Eucalol. Envolta no fascínio de Indiana Jones, interessei-me por arqueologia e pesquisei a fantástica história de Champollion e da Pedra de Rosetta. Aos vinte e poucos anos, pela primeira vez no British Museum, fui caminhando pelas galerias afora rumo à estela e a ansiedade tomou conta. Quando finalmente cheguei na Pedra de Rosetta, invadida por grande emoção, chorei copiosamente. Finalmente, a pedra que habitava as ilustrações e as fantasias, agora materializava-se na minha frente no museu. Passado algum tempo de fruição, já mais ‘recomposta’, reparo que nenhum dos visitantes parecia tão interessado assim em fruí-la. Com certeza tinha algo de errado: trata-se de uma ‘Mona lisa’ da egiptologia. Examinando ao redor mais atentamente, só então notei um aviso que dizia ser aquela uma cópia: a original se encontrava no próprio museu, em uma exposição comemorativa sobre a pedra. Era só o que me faltava: eu chorei por uma réplica! Um prato cheio para discussões sobre autenticidade e fetiche nos museus.” Ana Cecília Rocha Veiga, professora, herdou a coleção de estampas Eucalol da avó.
Análises
Análise Geral
Em 1799, durante a campanha militar de Napoleão no Egito, soldados franceses decidiram construir um forte na cidade de Rosetta (atual Rashid). Durante as escavações, desenterraram um artefato que se tornaria fundamental para a história do antigo Egito: a Pedra de Rosetta.
A pedra foi encaminhada pelo oficial francês Pierre-François Bouchard ao general Jacques-François Menou, que a enviou ao Instituto do Egito, fundado por Napoleão no Cairo. Ali, foram produzidas cópias das inscrições, posteriormente distribuídas a estudiosos e linguistas de diversos países.
Esse fragmento de estela contém um decreto sacerdotal emitido em 196 a.C., redigido em dois idiomas e três sistemas de escrita. Na época, o Egito era governado pela Dinastia Ptolomaica, sucessora do império de Alexandre, o Grande. Os governantes eram macedônios e falavam grego, a língua administrativa do reino. Já a população nativa utilizava o egípcio antigo, registrado em duas formas de escrita: os hieróglifos, empregados em contextos religiosos e monumentais e conhecidos como as "palavras dos deuses", e o demótico, uma escrita cursiva derivada dos hieróglifos, utilizada no cotidiano e chamada de "palavras dos documentos". Os hieróglifos constituem um sistema de escrita baseado em sinais figurativos, que podiam representar sons, palavras ou ideias.
Assim, no topo da pedra encontra-se o decreto em hieróglifos egípcios, seguido pelo demótico e, por fim, pelo grego. Na época da descoberta do artefato, os estudiosos já não sabiam ler a escrita egípcia antiga, mas dominavam o grego antigo.
Ao compreenderem o conteúdo do texto, abriu-se finalmente o caminho para a decifração dos hieróglifos. O feito deve-se ao trabalho de linguistas como Thomas Young e, sobretudo, Jean-François Champollion, que estudou uma impressão da Pedra de Rosetta, e não o artefato original. A publicação das descobertas de Champollion, em 1822, é considerada por muitos o marco inaugural da egiptologia.
O texto do decreto homenageia o faraó Ptolomeu V, exaltando seus feitos e determinando uma série de honrarias que deveriam ser realizadas em sua homenagem. Ao final, estabelece-se que o decreto fosse amplamente divulgado em todos os templos, nas três formas de escrita. Até o momento, foram encontradas três cópias quase idênticas ao texto da Pedra de Rosetta, o que permitiu a recomposição de suas partes perdidas. A partir dessas cópias, também foi possível supor como seria a estela original íntegra (ilustração disponível na galeria de imagens da estampa).
Em 1801, as forças anglo-otomanas derrotaram Napoleão no Egito. Pelos termos do Tratado de Alexandria, os tesouros egípcios amealhados pelos franceses passaram para as mãos dos britânicos, incluindo a famosa pedra. No ano seguinte, o rei George III doou a Pedra de Rosetta ao Museu Britânico, onde permanece até os dias de hoje. Esta estampa Eucalol, portanto, celebra essa verdadeira pedra de toque da egiptologia, sem a qual a antiga escrita egípcia provavelmente ainda seria um mistério para nós.
Análise Crítica
Não é raro que estampas culturais apresentem imprecisões históricas e anacronismos. Este é um exemplo disso. O texto informativo no verso desta estampa afirma que a Pedra de Rosetta contém uma mensagem religiosa escrita em três línguas. Na realidade, trata-se de dois idiomas (egípcio antigo e grego), sendo o egípcio registrado em dois sistemas de escrita distintos: hieróglifos e demótico.
Além disto, todo bem cultural é imbuído dos valores de sua época, e com esta estampa não foi diferente. Vejamos na prática.
A Pedra de Rosetta foi redescoberta por soldados de Napoleão na cidade de Rashid (denominação atual) durante a construção de um forte militar. A cidade era chamada pelos franceses de Rosetta. Representar Rosetta em uma cena pacífica, pitoresca e romantizada, portanto, não reflete adequadamente o contexto bélico no qual esse artefato veio à luz, após ter permanecido por longo tempo desconhecido da história ocidental. A gravura de Thomas Milton, que inspirou a ilustração desta estampa, foi produzida entre 1801 e 1803, portanto no período final da campanha militar. Ela também apresenta uma visão idílica e “exótica” do povo egípcio.
O texto do verso aponta que a pedra, de valor inestimável, encontra-se cuidadosamente preservada no Museu de Londres. No caso, refere-se ao Museu Britânico. Embora a instituição de fato conserve diligentemente este e outros tesouros de grande importância histórica, a Pedra de Rosetta integra hoje as discussões sobre a repatriação de bens culturais musealizados.
Compreendemos que o processo de repatriação é civilizatório e inevitável, se considerarmos valores filosóficos e éticos que cultivamos na contemporaneidade. Contudo, tais processos devem ser conduzidos com responsabilidade e planejamento, considerando as condições institucionais do país de origem do bem cultural, como a estabilidade democrática e a consolidação de políticas culturais. Do mesmo modo, é necessário avaliar se a instituição receptora dispõe de gestão museal adequada, bem como de infraestrutura de segurança física e conservação preventiva compatíveis com a preservação do acervo.
O patrimônio cultural de qualquer lugar, em nosso entendimento, não pertence a um povo ou país específico, mas à humanidade. Por isso, consideramos que a preservação desses bens deve ser priorizada, inclusive em relação a debates de justiça histórica e às reivindicações de retorno. Garantir a sobrevivência dos artefatos históricos para as gerações futuras é, nesse sentido, uma prioridade.
Foge ao escopo desta análise opinar se o Egito reúne atualmente condições para a restituição da Pedra de Rosetta, especialmente no que diz respeito ao contexto geopolítico e institucional. Ainda assim, não se pode ignorar que o país reivindica a devolução de bens culturais retirados de seu território no passado, de forma “legal” ou não. “Legal” entre aspas, porque algumas leis de outrora não eram justas, nem éticas. Por tudo isto, essa reivindicação, em si, integra um debate legítimo no campo da museologia e da história.
Análise Cultural
A ilustração da cidade de Rosetta presente nesta estampa cultural foi inspirada na pintura de viagem do artista italiano Luigi Mayer, gravada por Thomas Milton entre 1801 e 1803. A romantização do Império Otomano nessa paisagem bucólica e idílica é, portanto, replicada na estampa. O resultado reflete tanto o espírito da época das estampas Eucalol quanto o da obra original, produzida no século XVIII.
Em termos estéticos e artísticos, a paisagem da cidade de Rosetta é bastante estilizada e simplificada na estampa, provavelmente devido às limitações das técnicas de produção dos cartões colecionáveis, de caráter efêmero, quando comparadas a meios mais elaborados como águas-fortes, aquarelas e outras formas de gravura artística. Na gravura original, ainda, é possível observar uma série de detalhes que, na estampa, passam despercebidos ou foram suprimidos, como trajes locais e elementos da arquitetura vernacular.
Também é apresentada de forma bastante simplificada a Pedra de Rosetta, sendo impossível distinguir os textos nela inscritos ou outros detalhes fiéis ao artefato original. Cabe pontuar que os hieróglifos egípcios, para além de uma forma de escrita, podem ser alçados ao patamar de arte.
É interessante notar, ainda, que a Pedra de Rosetta é representada em pedestal circular, como foi exposta pela primeira vez no Museu Britânico. A réplica atualmente disponibilizada pelo museu, que pode inclusive ser tocada pelos visitantes, mantém esse mesmo modelo de suporte. Já a pedra original encontra-se em uma vitrine de vidro, fechada e fortemente protegida. As imagens de ambas — original e réplica — podem ser consultadas nos Anexos.
Insights da IA
O ChatGPT sugeriu chamar a Pedra de Rosetta de "Google Tradutor". Pesquisando nos mecanismos de busca para verificar se a IA plagiou esta sugestão, não foram localizados registros consistentes dessa expressão associada ao artefato. No entanto, identificou-se a existência do projeto Fabricius, uma ferramenta desenvolvida pelo Google que utiliza Inteligência Artificial para auxiliar na leitura e no aprendizado de hieróglifos egípcios. Se nenhum ser humano fez esta associação antes, entre a Pedra de Rosetta e o Google, talvez seja esta a fonte de "inspiração" para a IA. Adotamos a referência bem-humorada ao mecanismo de busca no campo Sobre desta estampa.
Quando inserimos o parágrafo acima na plataforma de IA, para que desse sugestões gramaticais e, também, “opinasse” quanto à análise da sua participação, a plataforma eufemizou o parágrafo, com mudanças e suavizações que não acatamos. Por exemplo, insistiu na retirada da palavra “plágio”, porque o conceito necessariamente envolveria um ser humano. Respondemos: “Plágio se aplica sim. O ser humano em questão é o seu programador. É um plágio indireto, mas ainda assim é plágio.” A IA teceu então uma longa explicação sobre o conceito jurídico de plágio, alegando que haveria imprecisão factual e legal em dizer que a IA o comete.
Como a IA tem sido denominada pelos juristas é um tema que merece mais tempo e esforço de investigação por parte deste projeto. Talvez tenhamos que desenvolver novos vocabulários para esta tecnologia. Por enquanto, manteremos o uso da palavra “plágio”, porque coloquialmente é compreendida de imediato. E amplamente adotada pelo meio jornalístico e até acadêmico que pesquisa a IA, ao descrever a varredura e apropriação de conteúdo realizada pelas plataformas de Inteligência Artificial. O dicionário Michaelis afirma que plágio é “imitação de trabalho, geralmente intelectual, produzido por outrem.” E é exatamente isto que IA faz.
Sobre a expressão “Google Tradutor” que ela mesma criou, a IA afirmou: “A comparação ‘Google Tradutor’ para a Pedra de Rosetta não é só uma piada: ela revela como o imaginário contemporâneo reorganiza o passado em função de tecnologias atuais de linguagem.” Esta pontuação é, de fato, interessante e pertinente, concordamos com ela. Os conceitos associados às palavras estão evoluindo na linguagem sob a influência das tecnologias digitais contemporâneas. A ponto de falarmos em “nuvem” e pensarmos primeiro em computação e somente depois em flocos brancos no céu.
Plataforma de IA: ChatGPT, junho de 2025, com novas interações em junho de 2026.
Referências
Catálogo raisonné
GORBERG, Samuel. Estampas Eucalol. Rio de Janeiro: S. Gorberg, 2000. Pg 210
Livros
ESPANÕL, Francesca. Saber ver a arte egípcia. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
DOBLHOFER, Ernst. A maravilhosa história das línguas: Decifração dos símbolos e das línguas extintas. São Paulo: Ibrasa, 1962.
FISCHER, Steven Roger. História da Escrita. São Paulo: Unesp, 2009.
MOZZATI, Lucas. British Museum Londres. Rio de Janeiro: Folha de São Paulo, Mediafashion, 2009.
RIZZO, Wagner Antônio. Fina Estampa: As estampas Eucalol e a memória publicitária brasileira. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2014.
Enciclopédias
George III na Enciclopédia Britannica. https://www-britannica-com.translate.goog/biography/George-III
Ptolomeu V Epifânio na Enciclopédia Britannica. https://www.britannica.com/biography/Ptolemy-V-Epiphanes
Vídeos
Vídeo The Rosetta Stone - Curator's Corner - The British Museum
https://youtu.be/klJBwnBHET8?si=UIb5OhG3D2tYwaEM
Links Diversos
Pedra de Rosetta no Museu Britânico
https://www.britishmuseum.org/collection/egypt/explore-rosetta-stone
Hieróglifos Egípcios no Museu Britânico
https://www.britishmuseum.org/exhibitions/hieroglyphs-unlocking-ancient-egypt/egyptian-hieroglyphs-decipherment-timeline
Campanha Egípcia no Museu do Exército Nacional
https://www-nam-ac-uk.translate.goog/explore/egyptian-campaign
Pedra de Roseta: como um encontro por acaso levou à decodificação dos hieróglifos egípcios na reportagem da BBC Brasil
https://www.bbc.com/portuguese/geral-64102619
Luigi Mayer no artigo do site Cornucópia. https://www.cornucopia.net/magazine/articles/the-empire-unvarnished/
Conteúdo do Texto da Pedra de Rosetta
https://www.sacred-texts.com/egy/trs/trs07.htm
Fabricius da Google: Decifrando hieróglifos egípcios com aprendizado de máquina
https://artsandculture.google.com/experiment/fabricius/gwHX41Sm0N7-Dw
Imagens
Fotografias da Pedra de Rosetta no Museu Britânico
https://www.britishmuseum.org/collection/object/Y_EA24
Gravura City of Rosetta no Museu Britânico
https://www.britishmuseum.org/collection/object/P_1948-1125-6
Fotografias da Pedra de Rosetta na Wikimedia
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rosetta_Stone.JPG
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:RosettaStoneAsPartOfOriginalStele.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rosetta_Stone_BW.jpeg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Copy_of_Rosetta_Stone.jpg#file
Citações
VEIGA, Ana Cecília Rocha. Viajando pela natureza através das estampas culturais: Eucalol e Liebig. Disponível em: https://anacecilia.digital/viajando-pela-natureza-atraves-das-estampas-culturais-eucalol-e-liebig/ Acesso em: 18 mar. de 2026.
Citação: Reprodução da estampa e análise crítica e descolonial sobre as estampas culturais.
Condições de Reprodução
Direitos Autorais
Estampa Eucalol: Conforme indicado no verso de algumas emissões das estampas Eucalol, o copyright pertente à Perfumaria Myrta. Contudo, a empresa responsável pela produção destes cartões encerrou suas atividades na década de 1980. As estampas Eucalol foram produzidas aproximadamente entre as décadas de 1930 e 1960. Com raras exceções, até o momento, não foi possível identificar os artistas e autores envolvidos em sua criação, o que impede a determinação segura de sua situação jurídica quanto ao domínio público. Desta forma, os direitos autorais das Estampas Eucalol são considerados indeterminados. Recomenda-se cautela no uso das imagens das estampas Eucalol para fins lucrativos ou fora do contexto acadêmico, didático e institucional.
Gravura The City of Rosetta e imagens da Pedra de Roseta no Museu Britânico:: © The Trustees of the British Museum. Shared under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International (CC BY-NC-SA 4.0) licence. (O copyright pertence ao Museu Britânico. As imagens são compartilhadas sob a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional CC BY-NC-SA 4.0).
Fotografias da estampa e conteúdo da ficha catalográfica: Copyright de Ana Cecília Rocha Veiga. Usos acadêmicos ou educativos sem fins lucrativos estão automaticamente autorizados de forma gratuita. Para outros usos, gentileza entrar em contato com o projeto para solicitar autorização.
Créditos
Para citar esta ficha e sua estampa no repositório digital, utilize a referência a seguir:
VEIGA, Ana Cecília Rocha. Estampa Eucalol da série Curiosidades Mundiais sobre a Pedra de Rosetta exposta no Museu Britânico. Disponível em: https://webmuseu.org/projeto/estampas/eucalol-curiosidades-mundiais-pedra-de-rosetta/ Acesso em: 17 de jun. 2026.
Observação: Atualizar para a data do seu acesso ao conceder crédito ou citar, por gentileza.
Conservação e Tratamento
Originalidade e Proveniência
Conservação
Danos Identificados
acidificação | amarelecimento | descoloração | desgaste | dobra | encurvamento | esmaecimento | foxing | vincos
Inscrições
Sem inscrições.
Diagnóstico
Considerando as condições esperadas para uma peça efêmera em papel cartão do seu período de produção, a estampa apresenta estabilidade estrutural e integralidade do suporte, sem evidências de intervenções ou restauros anteriores. A camada pictórica do anteverso encontra-se esmaecida e com amarelamento acentuado. Foram identificadas uma mancha de foxing e marcas de dobra na borda inferior direita. O verso apresenta-se íntegro, sem alterações relevantes além do amarelamento natural do suporte.
Acondicionamento
Estampa acondicionada em armário da reserva técnica do Webmuseu, protegida por envelope individual confeccionado sob medida pelo projeto, em papel naturalmente creme claro, 100% algodão, gramatura 130 g/m2 (60 lb). O envelope encontra-se inserido em folder também confeccionado sob medida, em papel naturalmente creme claro, 100% algodão, gramatura de 300 g/m2 (140 lb). O conjunto envelope/folder está acondicionado em caixa de conservação padrão museológico, fabricada em cartão micro-ondulado de qualidade arquivística, livre de ácido e lignina, 100% composta por alpha celulose e reserva alcalina de 2% de carbonato de cálcio, apresentando elevado grau de permanência. A caixa foi produzida por empresa especializada, em conformidade com as normas ANSI/NISO Z.39.48-1992, ISO 9706, DIN 6738 e selo PAT ANSI/ISO 18916.
Recomendações
Em termos de armazenamento, recomenda-se a substituição do armário atualmente utilizado na reserva técnica do Projeto Webmuseu, confeccionado em MDF laminado branco, por mobiliário produzido em material incombustível e quimicamente estável, como aço inox revestido com pó fundido de resina epóxi. Para exposições temporárias, recomenda-se seguir as orientações descritas no Manual de Catalogação, especialmente no capítulo 4, dedicado à conservação preventiva de estampas culturais.
Histórico de Conservação
18/05/2026 – Higienização, diagnóstico e acondicionamento: Higienização mecânica da estampa realizada com pincel hake de cerdas naturais e macias. Diagnóstico do estado de conservação e preenchimento inicial da ficha catalográfica no repositório digital do projeto. Acondicionamento da estampa em envelope individual e folder/jaqueta de preservação, armazenados em caixa padrão museológico na reserva técnica. Responsável: Ana Cecília Rocha Veiga – Professora Associada do Curso de Museologia da UFMG. Doutora em Arte e Tecnologia da Imagem pela Escola de Belas Artes da UFMG, linha Conservação Preventiva. Coordenadora do Projeto Webmuseu.
Notas da Conservação
Originalidade: A estampa foi incorporada à coleção por meio de legado familiar. A primeira colecionadora adquiriu os cartões Eucalol diretamente dos brindes inseridos nas embalagens dos sabonetes da Perfumaria Myrta, na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se, portanto, de estampa original com proveniência comprovada.
Gestão do Acervo
Identificador Web
Localização Fixa
Espaço de Guarda do Webmuseu > Armário 1 > Estante 1.2 > Caixa 1.2.1 > Mapa L > Folder 32
Duplicatas
Histórico de Pesquisas e Eventos
12/06/2026 – Ação Educativa: Esta estampa foi apresentada para os alunos do Curso de Museologia da UFMG pela coordenadora do projeto, professora Ana Cecília Rocha Veiga, em atividade didática na sala de aula.
04/06/2025 – Ação Educativa: Esta estampa foi apresentada para os alunos do Curso de Museologia da UFMG pela coordenadora do projeto, professora Ana Cecília Rocha Veiga, em atividade didática na sala de aula.
2025 - Em andamento - Pesquisa: A ficha catalográfica desta estampa serviu de ficha exemplo (teste piloto) para o projeto de extensão Projeto Webmuseu e projeto de pesquisa Gestão de Museus e Acervos na Web: Tecnologias da Informação e Comunicação. Ambos os projetos são coordenados pela Professora Ana Cecília Rocha Veiga e desenvolvidos no âmbito do Curso de Museologia da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil (ECI/UFMG).
Histórico de Registros Iconográficos
05/06/2026 – Registro Fotográfico com Colour Checker: Produção de fotografias da estampa utilizando Colour Checker. Montagem da imagem em software gráfico, sem aplicação final da correção de cores. Foram incluídas na composição as réguas de medição da estampa e o QR Code para a ficha catalográfica correspondente no repositório digital de Estampas Culturais, desenvolvido com o Tainacan.
Histórico de Catalogação
22/06/2026 – Revisão Final pela Coordenação do Projeto: Revisão geral dos campos preenchidos desta ficha catalográfica pela coordenação do projeto.
2026 – Inserção de Dados: Preenchimento gradativo dos campos da ficha catalográfica, principalmente a partir de pesquisa realizada em maio de 2026. Esta estampa é a ficha exemplo (teste piloto) no Projeto Webmuseu. Até junho de 2026, o item já havia sido atualizado mais de 1700 vezes ao longo do último ano, segundo relatório estatístico do repositório no Tainacan.
25/06/2025 – Inventário Inicial: Criação do item no repositório digital do Tainacan e preenchimento das informações básicas de inventário da ficha catalográfica.
Última Atualização
julho 2, 2026
Profissionais
Ana Cecília Rocha Veiga
Professora Associada do Curso de Museologia da UFMG. Doutora em Arte e Tecnologia da Imagem pela Escola de Belas Artes da UFMG, linha Conservação Preventiva. Coordenadora do Projeto Webmuseu.
Atividades: Gestão, documentação e conservação preventiva do acervo.


